Capítulo 02
— Hahahahahahahahahaha...!
Na sala de trabalho da Mansão Ducal Russell, o riso estrondoso do duque parecia não ter fim.
Diante dele estava o mordomo-chefe.
— Meu senhor, gostaria de prosseguir com o próximo relatório...
— Ah, perdoe-me. Acabei de receber a confirmação da punição daquele idiota... digo, do príncipe. Não convém vencer demais. Foi um desfecho perfeito.
Agora ele finalmente compreenderá o sofrimento da minha filha.
Pensando nisso, o duque voltou sua atenção ao próximo relatório.
✦ ✦ ✦
Naquele dia, o príncipe herdeiro Arthur foi convocado pelo rei para o gabinete real após deixar os aposentos de trabalho da rainha.
Ali, foi obrigado a assinar os documentos de dissolução de seu noivado.
— Você colheu exatamente o que plantou.
Aqui está o relógio de bolso que recuperamos.
O filho do visconde, que foi preso, abriu a boca sem resistência.
Segundo seu depoimento, a filha do Barão Chand aproveitou um momento de distração seu para roubá-lo. Depois, zombou dele enquanto estava na cama com o filho do visconde.
Leia isto em voz alta.
As mãos de Arthur tremiam ao segurar o documento entregue pelo camareiro.
Sua voz também vacilava.
Mas o rei não demonstrou qualquer compaixão.
Repetidas vezes ordenou que ele lesse mais alto.
Até que finalmente Arthur começou:
— Não serve para nada se vocês nem estão juntos.
O que significa essa bobagem de "mesmo separados, marcamos o mesmo tempo"?
Que ridículo.Se não ficarmos grudados assim, alguém acaba roubando.
Ei, esse diamante rosa deve valer uma fortuna, não?
E essa esmeralda também parece caríssima.
Vamos vender tudo e transformar em dinheiro.
Ou talvez seja melhor reaproveitar as pedras num anel...
Imagine a cara daquela mulher quando vir o relógio e o anel sem as pedras.
O príncipe nem percebeu que sumiu.
Afinal, ele nem sequer dá corda ao relógio.
Olha só. Já parou de funcionar.
Hahahahaha...
A cada palavra lida, seu coração era dilacerado.
Lágrimas e muco escorriam sem parar.
Até o lenço que usava para enxugar o rosto havia sido bordado por Elizabeth, com suas iniciais formadas por pequenas flores de trevo-branco.
Toda a delicadeza que a filha do barão demonstrara diante dele...
Todo aquele ar frágil que despertava seu instinto protetor...
Tudo não passara de uma farsa.
Uma mentira.
Arthur confundira desejo passageiro com amor.
Acreditava que, enquanto não cruzassem a última linha, seu relacionamento permanecia puro.
Uma paixão dolorosa, inevitável para um príncipe herdeiro.
Então surgiram os relatos sobre o suposto bullying sofrido por Elizabeth.
Na verdade, Arthur jamais pretendia tornar a filha do barão rainha.
Sabia que aquilo era impossível.
Seu plano era usar as acusações contra Elizabeth para obter vantagem sobre ela e então fazer da jovem uma concubina ou, ao menos, sua amante favorita.
Agora se perguntava:
Até onde sua estupidez havia chegado?
O rei prosseguiu:
— As declarações presentes neste interrogatório coincidem quase perfeitamente com os relatórios das Sombras.
Depois disso, o relógio foi vendido ao penhorista Pione, administrado pela família do visconde.
Como a clientela era diferente da sua, acreditaram que vocês jamais o encontrariam.
Pensaram que, se o noivado fosse rompido, mais cedo ou mais tarde não faria diferença.
O visconde e o gerente afirmam que desconheciam sua origem.
— ...Liza... estava certa...
O camareiro devolveu o relógio a Arthur.
Os ponteiros permaneciam imóveis.
Quantas mãos sujas o haviam tocado?
Só de imaginar, sentia-se ainda mais culpado diante de Elizabeth.
— Esse relógio estava numa loja ligada a pessoas próximas da filha do Barão Chand.
Segundo uma carta do chanceler, esse foi o motivo que levou Elizabeth... ou melhor, Lady Elizabeth Russell... a decidir encerrar o noivado.
O coração dela se partiu.
E quem poderia culpá-la?
Desista.
Mesmo que ela nunca tivesse desempenhado o papel de "vilã".
Mesmo que você nunca tivesse ultrapassado completamente a última linha com a filha do barão.
Depois de tudo isso...
Se estivesse no lugar dela, conseguiria passar décadas ao lado de alguém assim?
Conseguiria compartilhar com essa pessoa o peso do governo de um reino?
— ...Peço... perdão...
— Então assine os documentos imediatamente.
Com a mão direita tremendo, sustentada pela esquerda, Arthur escreveu seu nome.
O documento foi entregue ao rei.
A dissolução do noivado estava concluída.
Mas aquilo era apenas o começo.
O rei então revelou as punições.
A família do barão e a do visconde seriam extintas.
Seus chefes receberiam uma taça de veneno.
O vice-comandante dos cavaleiros seria rebaixado de marquês para visconde e enviado para a guarda da fronteira.
Quanto à filha do barão e aos filhos envolvidos:
Suas gargantas seriam destruídas.
Seus dedos amputados.
Pesos seriam presos aos seus membros.
E passariam o resto da vida trabalhando nas minas.
Os dois rapazes seriam castrados.
A jovem serviria também como "assistente noturna" dos trabalhadores forçados.
Ao ouvir aquilo, Arthur pensou que a morte seria uma opção mais misericordiosa.
Finalmente compreendeu a dimensão da ira de seu pai.
E entendia perfeitamente o significado de "assistente noturna".
Seria consumida até não restar nada.
Curiosamente, não sentiu pena alguma daquela que acreditara ser seu "amor verdadeiro".
O restante da audiência seguiu com novas ordens.
Arthur não seria deserdado.
Retornaria ao título de príncipe.
Passaria seis meses servindo entre os cavaleiros, submetido a um treinamento infernal.
Depois disso, receberia novamente sua educação para governar.
Uma educação ainda mais rigorosa do que aquela que Elizabeth havia suportado.
Ao final, o rei revelou um segredo que jamais contara a ninguém:
Ele tinha enorme dificuldade para gerar filhos.
O nascimento de Arthur fora praticamente um milagre.
Por isso depositara tantas esperanças no casamento entre Arthur e Elizabeth.
Mas agora tudo havia sido destruído.
Por suas próprias mãos.
Antes de partir, o rei deu sua última ordem:
— Construa uma relação de confiança com Lady Sophia e Lady Mary.
Elas serão chamadas de Rosa e Lírio.
Ambas ocuparão a posição de rainha.
Não haverá Primeira nem Segunda.
Assim evitaremos disputas por precedência.
Você deverá tratá-las igualmente.
E, acima de tudo...
Garanta que a linhagem real não se extinga.
Arthur ficou atônito.
— Isso... isso é verdade?!
— Sim.
A educação básica para se tornarem rainhas já foi concluída.
Originalmente, elas seriam suas consortes após seu casamento com Elizabeth.
Todos os filhos delas seriam adotados e criados por Elizabeth.
Ela já havia concordado com isso.
Arthur não conseguia acreditar.
Nunca ouvira falar de nada disso.
Mas, depois de tudo o que havia feito, já não tinha o direito de protestar.
"Liza, meu amor... Vamos construir juntos um reino melhor para o povo."
"Eu também te amo, Luti. Vou dar o meu melhor por você."
As palavras que haviam trocado quando ficaram noivos, aos seis anos de idade, ecoaram em sua mente.
Como se viessem de muito longe.
Como se pertencessem a outra vida.
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