Capítulo 01
O Pai da Vilã
— Então ela chegou?
— Chegou.
Um breve silêncio pairou no ar.
— Não pode ser, papai. Agora não é hora de ficar emocionado.
Desculpe por lhe dar mais trabalho, mas conto com o senhor para cuidar do resto.
Vamos seguir o Plano A.
No escritório da residência urbana da Casa Ducal Russell, na capital do reino.
Vestida com meu uniforme de cavaleira, eu, Elizabeth Russell, estava sendo envolvida nos braços de meu pai, o Duque Russell.
Meu pai era um homem verdadeiramente gentil.
Por trás do título de "Chanceler do Sorriso Misericordioso", carregando sobre os ombros o peso do reino, escondia-se alguém astuto, flexível e extremamente calculista.
Em público, travava disputas ferozes e sérias até mesmo com Sua Majestade, o Rei.
Ainda assim, longe dos olhos da rainha, às vezes os dois se reuniam como velhos amigos para tomar chá e aliviar mutuamente suas preocupações.
Ao voltar para casa, era também um apreciador do chá de ervas contra dores de estômago preparado segundo a receita de minha falecida mãe.
E, acima de tudo, sempre me abraçou com carinho.
Perdoe-me por ter rejeitado esses abraços quando era mais jovem.
— Plano A, então. Entendido.
Ellie... você serviu ao reino mais do que o suficiente.
Com todas essas provas e documentos organizados, a culpa recai inteiramente sobre o outro lado. Conseguiremos a anulação do noivado sem dificuldades.
"Vilã"?
Que papel ridículo.
Está demitida desse papel.
Que piada de mau gosto.
As doações já foram feitas e o dinheiro também foi transferido para sua conta.
Vá descansar sem preocupações.
Desde o começo, tudo isso era absurdo.
Você assumindo o papel que deveria ser daquele rei, e "aquele sujeito" assumindo o meu...
Foi um erro completo de escalação por parte de Sua Majestade, a Rainha.
Eu cuidarei das responsabilidades... ou melhor, da cobrança de responsabilidades.
Fufufufu...
— Papai, isso foi um pouco desrespeitoso.
Cuidado com o que diz.
Palavras podem trazer problemas.
Eu partirei imediatamente.
— Apenas tome cuidado para não ser derrubada do cavalo quando ele disparar em galope.
"Aquele sujeito" o príncipe ainda era razoável até a aparição daquela baronesa.
As pessoas nunca seguem o roteiro.
— Não há o que fazer.
Se isso servir para fazê-lo acordar para a realidade, já será suficiente.
Se fosse Lady Mary, ela abraçaria o papel de vilã com entusiasmo.
Se fosse Lady Sophia, teria todos na palma da mão.
Não tenho preocupações quanto ao futuro.
Por mais difícil que seja partir, cada segundo conta.
— Sim.
As damas de companhia encarregadas de vigiar a rainha foram enviadas para fazer compras.
Provavelmente estarão ocupadas na fila para comprar aquele bolo famoso.
As iscas já partiram em outra direção.
Nossas Sombras e os cavalos estão preparados.
Suas bagagens foram arrumadas.
Aqui estão seus documentos de identidade.
Os pombos-correio já foram enviados.
Alguém irá encontrá-la no caminho.
— Obrigada, papai.
Ah, sim.
Enquanto Sua Alteza me evitava, continuei escrevendo minhas sugestões e propostas para o reino.
Deixei os cadernos com o senhor.
Faça o que quiser com eles.
Apontei para uma fileira inteira de cadernos e arquivos em sua estante.
Ali estavam organizadas, por região e categoria, inúmeras petições e propostas para resolver problemas do reino.
Enquanto outros se ocupavam com a educação de rainha, a filha do barão e toda aquela situação desagradável...
Eu havia mergulhado completamente nos assuntos de Estado.
Aquele tempo...
Agora eu o recuperaria.
— São suas ideias, Ellie.
Eu lerei tudo.
Obrigado.
Tome cuidado.
— Sim, papai.
Eu amo o senhor.
Que a sorte esteja ao seu lado.
— Ellie... eu também amo você.
Que o Sol e a Lua iluminem seu caminho.
E que as estrelas a protejam.
— Papai, eu adoro o senhor.
Estou indo.
Guardando o calor da minha família no coração, deixei a mansão pela porta dos fundos montada a cavalo.
Uma das Sombras da Casa Russell me acompanhava.
Por enquanto, isso bastava para me tranquilizar.
Dentro da cidade eu seguiria discretamente.
Mas, assim que deixasse a capital, cavalgaria com toda a velocidade possível.
Meu destino era um lugar seguro.
Afinal...
Chegara a hora de finalmente tirar as férias que eu havia acumulado durante anos de educação para me tornar rainha.
Palácio Real — Escritório da Rainha
— ...Repita.
— Eu disse que Liza... Elizabeth...
Anulou nosso noivado através do Duque Russell.
Ela desapareceu da academia.
Procurei por toda parte, mas não a encontrei.
Fui até a mansão dos Russell e me impediram de entrar...
Quando continuei pedindo para vê-la, o próprio duque apareceu e disse que ela não estava lá...
A rainha soltou um longo e profundo suspiro.
Antes mesmo da chegada do príncipe herdeiro, as Sombras da família real já haviam informado que haviam perdido Elizabeth de vista dentro da academia.
— Mãe...
A Liza não praticou bullying algum...
Não é?
Ainda vacilando entre confiar e desconfiar de sua noiva.
Patético.
Mesmo sendo meu filho.
— Não há uma única menção disso nos relatórios que recebi.
Além disso, Elizabeth jamais faria algo tão ineficiente.
Se quisesse remover alguém, faria de forma muito mais elegante.
Foi assim que eu a eduquei.
— Eu sabia...
— Ah, sim.
E aquela filha de barão não era nenhuma donzela inocente.
Mesmo que fosse apenas uma amante...
Você realmente pretende criar uma criança sem sequer saber quem é o pai?
— E-Eu nunca fiz nada disso!
Ela é apenas uma amiga!
— Gostaria muito de conhecer sua definição de "amiga".
A rainha imediatamente ordenou a prisão da filha do Barão Chand e de dois dos aliados do príncipe que mantinham relações com ela.
Os demais seriam interrogados.
Enquanto isso, continuavam chegando relatórios.
Mas nenhum deles trazia notícias sobre Elizabeth.
A rainha apoiou a cabeça nas mãos.
— Que desastre...
Talvez eu tenha ido longe demais.
Quis compensar a ausência da falecida duquesa.
Talvez eu não a tenha encorajado o suficiente.
Talvez ela nunca tenha entendido minhas intenções.
E tudo isso em apenas duas semanas...
A rainha ainda não compreendia a enorme distância existente entre "apenas duas semanas" e "duas semanas inteiras".
Mais tarde, ao encarar o príncipe herdeiro, ela sorriu.
— Arthur.
Se acredita que consegue encontrá-la...
Então vá procurá-la.
— O quê?
— "O quê?", não.
Elizabeth é um talento que surge uma vez a cada década, se tanto.
Uma garota tão talentosa, trabalhadora e apaixonada por você não existe em nenhum outro lugar.
Você compreendia o quão rara ela era, não?
Eu disse isso inúmeras vezes.
"Elizabeth será uma rainha extraordinária."
Então vá procurá-la.
Ou encontre alguém capaz de substituí-la.
Se conseguir.
O rosto de Arthur empalideceu.
Pela primeira vez, aquelas palavras pareciam carregar um peso real.
E talvez...
Ele finalmente começasse a compreender o que havia perdido.
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