maio 22, 2026

A Princesa mais velha decide salvar a vilã - Capítulo 04

Capítulo 04 

Vamos traçar um plano!

Para conseguir a cooperação de um adulto influente como o marquês, fiz uma proposta.

— Como o meu irmão disse, não temos como impedir a inspeção de meu pai. Mas acredito que podemos acompanhá-lo durante a viagem.

— E o que pretende fazer indo junto?

— Quero que o marquês prepare uma pedra mágica antes da partida. Uma especializada em defesa.

— Uma pedra de… defesa? Então Vossa Alteza pretende subir na carruagem de Sua Majestade e sofrer o acidente junto com ele?!

— Sim.

Assenti com firmeza.

Onii-sama Roy me lançou um olhar apreensivo, mas não havia outro meio de salvar nosso pai.

Aliás, pedras mágicas eram gemas nas quais magos selavam fórmulas mágicas.

As pessoas daquele mundo eram capazes de usar magia em maior ou menor grau, mas a maioria dominava apenas magia cotidiana¹; poucos conseguiam lançar feitiços realmente poderosos.

E aqueles capazes de usar magia de alto nível normalmente serviam ao reino ou a nobres influentes, dedicando seus dias à pesquisa mágica.

Foi nesse contexto que surgiram as pedras mágicas. Mesmo que o usuário não possuísse muito poder mágico, bastava que a fórmula selada na pedra fosse ativada corretamente para que ela funcionasse sem problemas.

Como produziam grandes efeitos com pouca energia mágica, às vezes eram usadas em guerras embora, na maior parte do tempo, fossem empregadas em tarefas do cotidiano.

O problema era que pedras mágicas comuns podiam ser feitas até com gemas baratas, mas pedras especializadas em defesa ou ataque exigiam joias extremamente valiosas.

Pedi aos três que aguardassem um instante e voltei ao meu quarto. Tirei do fundo da gaveta uma joia que guardava com extremo cuidado e retornei ao aposento onde Alicia e os demais esperavam.

— Marquês, acredito que esta gema consiga suportar uma fórmula mágica poderosa. Poderia inserir nela uma magia defensiva?

— Rutia! Essa joia é da sua mãe…!!

— Sim. É uma lembrança dela. Mas tenho certeza de que mamãe também diria que não se importa, se for para salvar papai.

A gema azul cristalina cintilava delicadamente sobre a palma da minha mão.

O marquês a recebeu e a observou atentamente.

— De fato… com esta pedra, seria possível selar uma magia defensiva de alto nível. Mas tem certeza? Se a magia for ativada, há grandes chances de a gema se quebrar.

Ao ouvir aquilo, hesitei por um breve instante.

Nem mesmo eu acreditava cem por cento em tudo o que Alicia dizia. E, para ser sincera, não queria transformar a preciosa lembrança de minha mãe em uma pedra mágica.

“Leve-a com você quando se casar.”

Foi isso que ela me disse ao me entregar aquela joia azul.

Pedras mágicas inevitavelmente se quebravam após uso contínuo. E as especializadas em ataque ou defesa sofriam uma carga ainda maior a cada ativação. Não importava quão preciosa fosse a gema as chances de ela se partir eram altas.

— Sinceramente… eu não quero. Mas esta é a única gema que possuo capaz de suportar magia avançada. Além disso, seria estranho uma criança pedir joias tão caras, não acha?

— Se for Vossa Alteza, talvez não… realmente.

O marquês se calou, consciente da posição delicada entre mim e meu irmão.

— Se acabar não sendo usada, basta guardá-la de novo. Marquês, por favor.

Encarei-o fixamente.

Isso mesmo se a história de Alicia não passasse de um delírio ou de um sonho fantasioso, aquela joia jamais precisaria ser usada. Mas, se tudo fosse real, ela se tornaria uma proteção inestimável.

Então o marquês voltou-se para Alicia e começou a pedir mais detalhes sobre o acidente da carruagem despencando do penhasco.

— Alicia, você disse que a carruagem cairá do penhasco. Como isso acontece exatamente?

— O penhasco desmorona, e a carruagem cai junto.

— O fundo do penhasco, hein… Alteza, imagino que a carruagem real possua pedras mágicas de reforço instaladas, correto?

— Naturalmente… afinal, é usada pela família real.

— E ainda assim morreriam…

— Bem… acho que, mesmo que a carruagem não seja destruída, quem estiver dentro não sobreviveria?

Todos inclinamos a cabeça diante das palavras dela.

Se a própria carruagem já possuía pedras mágicas de reforço, então apenas pedras ofensivas superiores conseguiriam destruí-la.

Alicia então perguntou se eu poderia providenciar uma caixa e alguns biscoitos.

Fiz o que ela pediu. Ela colocou um biscoito dentro da caixa e pediu ao marquês que lançasse sobre ela uma magia de reforço. Depois subiu na cama segurando a caixa e a deixou cair de uma certa altura.

Como esperado, a caixa protegida pela magia permaneceu intacta.

— Pai, desfaça a magia de reforço, por favor.

— Ah… certo.

O marquês removeu a magia conforme pedido.

Então vimos que o biscoito dentro da caixa estava completamente esmigalhado.

Só naquele momento entendemos o que Alicia queria dizer.

— Entendo… não importa o quanto a estrutura resista aos impactos externos; numa queda, os ocupantes ainda serão arremessados violentamente se não estiverem protegidos…

— Sim. Acho que foi assim que acabaram morrendo.

Eu havia pensado apenas em uma magia defensiva simples para protegê-los. Mas, vendo a demonstração diante dos meus olhos, senti um arrepio ao imaginar a cena.

Mesmo alguém capaz de usar magia dificilmente conseguiria proteger o próprio corpo num instante tão repentino.

O marquês ficou observando a caixa e os restos do biscoito, pensativo.

— Ainda assim… uma magia defensiva comum conseguiria suportar o impacto de uma queda dessas?

— É tão difícil assim?

— Nunca testei algo assim, então não posso afirmar…

— Pai, e se, em vez de uma barreira comum, usássemos água?

— Água?

— Se a carruagem estivesse cheia de água, o impacto seria amortecido.

— Mas, se ficar cheia d’água, nós não conseguiríamos respirar.

— E, num espaço tão apertado, não sabemos se a água realmente absorveria o impacto — acrescentou o marquês.

— Hmmm… então… talvez transformar a água em algo parecido com um slime…?

— …Slime?

Quando inclinei a cabeça em dúvida, Alicia explicou com gestos que era como uma criatura gelatinosa e macia.

Perguntei se esse tipo de animal existia na vida passada dela, mas ela respondeu que era apenas uma criatura imaginária.

— Em outras palavras… não usar a água em estado líquido, mas deixá-la macia… e ainda permitir respiração…

O marquês mergulhou em pensamentos profundos.

Como sobreviver a uma queda de um penhasco.

E assim, todos nós passamos a quebrar a cabeça tentando encontrar uma solução.
Página anterior《 ✮ 》Menú inicial 《 ✮ 》

Notas de tradução

1. Magia cotidiana — Tradução de seikatsu mahō (生活魔法), expressão comum em fantasias japonesas para designar pequenos feitiços usados em tarefas domésticas e do dia a dia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário