Capítulo 03 : Sonho ou Realidade?
Para ser honesta, tudo o que Alicia diz parece um conto de fadas.
As tais memórias de sua "vida passada" também…
Para começar, não consigo nem imaginar Lyle se tornando um príncipe decente.
Ele é mimado sem limites por Sua Alteza, a Rainha Consorte, vive negligenciando os estudos e as boas maneiras, e trata criadas e cavaleiros com uma arrogância insuportável.
— Escuta. Não consigo imaginar o Lyle de hoje se tornando um príncipe tão exemplar quanto você diz. Como isso acontece?
Do jeito que está sendo criado, ele vai se tornar um príncipe mimado e arrogante. Mesmo sendo o primeiro na linha de sucessão, não herdará o trono assim.
A menos que mostre qualidades dignas de um rei.
— P-Por favor… não fique com raiva de mim?
A voz de Alicia vai ficando cada vez mais baixa. Eu acaricio suas costas suavemente e digo que não farei nada disso.
— Não vou ficar com raiva só porque ouvi a história.
— Há dez anos… seu pai sofrerá um acidente durante uma inspeção e falecerá. Depois disso, coisas ruins continuarão acontecendo. Cinco anos atrás, uma epidemia fará com que o príncipe Roy…
— Meu pai e meu irmão vão morrer?!
— A-ah, não. Quem falece é Sua Majestade. O príncipe Roy ficará acamado. Então o príncipe Lyle percebe que precisa se esforçar… e é nesse momento que a heroína o apoia. Lyle, que estava solitário, se apega a ela pela primeira vez. Os dois se atraem intensamente.
— E você atrapalha esse romance?
— … Sim.
Alicia murmura algo que não entendo bem: "No monitor era tão bonito…"
Mas deixando isso de lado — se, por um acaso, meu pai realmente morrer, será um desastre.
Este país é pacífico, mas isso não significa que não seja alvo dos vizinhos. Se o rei morrer de repente, as nações ao redor ficarão agitadas. Um país rico já é valioso por si só.
— … Escuta, Alicia. Quando meu pai vai morrer?
— Hã?
— É dez anos antes da sua festa de formatura, não é?
— E-er… sim. Até onde me lembro… durante uma inspeção… por causa das chuvas que caíam há dias, houve um deslizamento de terra… a carruagem caiu de um penhasco…
Não sei qual é a agenda do meu pai. Olho para meu irmão Roy, e ele faz um leve aceno com a cabeça. Ao que parece, ele realmente tem uma inspeção programada.
— … Infelizmente, não podemos impedir o pai de fazer a inspeção.
— Pois é… Não acredito que ele vá ouvir a profecia — ou premonição? — de Alicia.
Mesmo que seja algo que realmente acontecerá, não dá para esperar que um adulto acredite nas palavras de uma criança. Alicia, meu irmão e eu ficamos ali, resmungando.
Se ao menos houvesse algum adulto disposto a nos ajudar… mas infelizmente não conhecemos ninguém assim.
Toc, toc.
Alguém bate na porta do quarto.
Meu irmão atende, e a porta se abre com ímpeto.
— Alicia!! Ouvi dizer que você desmaiou! Está bem?!
— P-Pai…
É o pai de Alicia, o Marquês Fahrmann. O marquês se aproxima dela, agarra seus ombros e a examina nervosamente, perguntando se ela se machucou.
Sacudir alguém com tanta força não vai piorar ainda mais seu estado? Será que devo interrompê-lo? Ou apenas observo, como uma demonstração de amor paterno? Olho de relance para meu irmão, que me responde com um sorriso constrangido.
Alicia também me lança um olhar pedindo socorro. Dou uma pequena tossida e me dirijo ao marquês.
— Marquês Fahrmann, se continuar a sacudindo assim, Lady Alicia passará mal.
Seja porque ele não tinha me notado ou porque estava tão preocupado com a filha que não prestou atenção, o marquês se apressa e faz uma reverência para mim e para meu irmão.
— P-peço desculpas… Vossas Altezas.
— Não se preocupe. Mas… tenho um pedido a fazer ao Marquês.
— O-que seria? Vossa Alteza?
O marquês estremece, seus ombros se contraindo. Será que ele também já ouviu a história de Alicia? Se conseguirmos o marquês como aliado, talvez possamos salvar meu pai.
— Gostei muito de Lady Alicia. Permita-me ser sua amiga.
— D-de Lady Alicia…?
O marquês olha rapidamente para Alicia. Seu rosto mostra uma expressão de pesar.
— B-bem… como puderam ver pelo desmaio de hoje, minha filha não goza de boa saúde. Para ser amiga de Vossa Alteza…
— Marquês, fui eu quem escolhi ela. E quero pedir sua colaboração.
— Por acaso… ela lhe contou algo? São devaneios de criança. Fantasias. Não é algo que deva preocupar Vossas Altezas.
O marquês olha para Alicia com um ar aflito. Mas para nós, é a vida de meu pai que está em jogo. Não podemos simplesmente ignorar isso. Se há um risco, precisamos fazer alguma coisa…
— Marquês, nem minha irmã nem eu acreditamos plenamente nessa história. Imagino que o senhor também não. No entanto… se houver o mínimo risco de algo acontecer com nosso pai, precisamos eliminá-lo.
— M-mas…
— Então que tal assim? Se meu pai realmente sofrer um acidente, isso provará que a história dela uma profecia, ou premonição é verdadeira.
— Mas se isso acontecer, Sua Majestade…
Exato. Meu pai morrerá. Isso seria terrível.
Se as palavras dela estiverem certas, depois da morte do meu pai muitas outras coisas ruins acontecerão. Mas a força de uma criança tem limites. Se o marquês se tornar nosso aliado, poderemos fazer muito mais.
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