abril 13, 2026

A Princesa mais velha decide salvar a vilã - Capítulo 02

Capítulo 02 : O lamento da Vilã 

"Figurante"… seria o mesmo que papel secundário? — vasculho meus conhecimentos interiores para chegar a uma resposta.

Figurante = papel secundário. Ou seja, eu sou uma princesa figurante. Que jeito cruel de me descrever. De fato, no momento, meu futuro não é dos mais promissores.

Mas, sem se importar nem um pouco com o que eu pensava, ela começa a chorar copiosamente. "É o fim. A rota da condenação. Vou ser executada…"


— Escute, minha cara. Se chorar tanto assim, seus olhos vão derreter.

— Antes derretessem e desaparecessem de vez!

— Se isso acontecer, você não vai enxergar nada. Nem as flores bonitas, nem os doces gostosos. Não seria um desperdício?

— Será que é esse o problema…?

Meu irmão murmura ao lado, e eu faço um leve biquinho. Só achei que, para uma criança chorando, falar sobre doces e flores seria uma boa ideia.

— E-Eu… não quero morrer ainda!

— Ninguém vai fazer mal a você. Aqui só estamos nós. Ou será que eu e meu irmão lhe parecemos capazes de algo tão cruel?

Ao ouvir isso, ela finalmente para de chorar e olha para nós.

Não sei por que ela diz essas coisas, mas deve ter acontecido algo muito grave para ela. Não há outra razão para chorar daquele jeito.

— Vamos lá. Se houver algo errado, pode nos contar.

— … Você vai achar que sou maluca.

— Não posso julgar antes de ouvir.

— Nem eu queria acreditar nisso…

Ela baixa a cabeça, lágrimas escorrendo. Limpo seu rosto com um lenço, sento-me na borda da cama e acaricio sua cabeça. Temos a mesma idade, mas será que é assim que se sente ter uma irmã mais nova? Ela parece tão pequena e amedrontada.

— Vamos. Conte-nos.

Incentivo-a mais uma vez. E então, em voz baixa, ela começa a falar. Sobre o futuro que está por vir.



*

Segundo ela — Lady Alicia Fahrmann —, pouco depois deste chá de hoje, o noivado entre ela e meu irmão Lyle será firmado. E, no futuro, ambos estudarão na Academia Real.

No entanto, Lyle não se contenta com a noiva escolhida por seus pais, Alicia, e a relação dos dois não é nada boa. Por ser noiva de Lyle, o primeiro na linha de sucessão, Alicia passa a agir com arrogância, o que a torna ainda mais detestada por ele.

Penso comigo: se Lyle é do mesmo tipo, então a briga está equilibrada. Mas ao que parece, não é bem assim. Dizem que, daqui a dez anos, Lyle terá se tornado um príncipe muito bom e dedicado.

E é então que ele se apaixona por uma baronesa. Enlouquecida de ciúmes, Alicia passa a intimidar a garota. Lyle descobre, e no dia da festa de formatura, ele a condena publicamente e rompe o noivado.

— Ouvindo apenas o relato, me parece que o conteúdo da "intimidação" são coisas bem naturais para a filha de um nobre.

— Concordo. Normalmente, uma mulher que se agarra num homem comprometido é considerada sem-noção. Além disso… é inadmissível que ele, estando noivo, se aproxime de outra mulher dessa forma.

— Mas, mesmo assim… eu também implico com ela por não conseguir estudar, por não saber etiqueta…

Não saber estudar e não saber etiqueta… não são problemas por si só? Normalmente, essas coisas se aprendem em casa, até certo ponto. Claro, cada família tem suas circunstâncias. Mas a Academia Real não é uma obrigação. É a mais alta instituição de ensino. Muitos nobres se contentam com a educação até os níveis anteriores especialmente as mulheres.

Na Academia, estuda-se matérias especializadas e administração de domínios. Se for assim, o número de homens é naturalmente maior. A menos que, em dez anos, essa proporção se iguale.

— E então, você… posso chamá-la de Alicia? Alicia, o que acontece com você depois de ser condenada e ter o noivado rompido?

— Serei executada…

— O quê?

— Serei executada.

Penso ter ouvido mal e repito a pergunta. Ela repete as mesmas palavras. Olho para meu irmão mais velho.

Normalmente, não se rompe um noivado e muito menos se executa alguém por algo que mal pode ser chamado de intimidação. É impossível! Além disso, Alicia é a única filha da família Fahrmann, um marquesado. Na ausência de um ducado, sua casa está no topo da hierarquia nobiliárquica. A razão para executar alguém assim é fraca demais.

— Qual é o motivo da execução?

— Tentativa de assassinato da futura mãe do reino.

— Alicia, você planeja fazer isso?!

— Não! Eu só quero viver em paz!

— Então faça isso. Não diga mais nada. Não faça nada. No momento, o noivado com Lyle nem sequer está firmado.

Digo isso olhando para meu irmão. Ele balança a cabeça, dizendo que também não sabe de nada. Ainda assim, Alicia nega com a cabeça.

— Deve haver uma força compulsória no roteiro. Na verdade, hoje não era o dia em que eu deveria encontrar o príncipe Lyle. Havia um encontro marcado antes, mas fingi uma doença com todas as forças para não ir… só que…

— Acabou encontrando hoje?

— … Sim.

Ela desaba, cabisbaixa e desanimada. Meu irmão e eu trocamos olhares.

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