abril 13, 2026

A felicidade da vilã Elizabeth - Prólogo

Prólogo 


Os 10 minutos e 29 segundos da Vilã



— Senhor Príncipe Herdeiro. Poderia me conceder dez minutos?

— Dez minutos?

— Isso. Na verdade, dez minutos e vinte e nove segundos. Mas vou arredondar para menos.
Esse foi o tempo que Vossa Alteza e seus conselheiros gastaram para "dar seu parecer" a meu respeito. Eu ouvi tudo em silêncio, limitando-me a responder ao que me perguntavam.
Agora, permitiriam que também ouvissem o que tenho a dizer?



Era a última assembleia de alunos antes da cerimônia de formatura.

O tempo que mediram foi aquele em que me chamaram ao palco e, um após o outro, me acusaram de ter intimidado a "verdadeira alma gêmea" do príncipe.

Usei o relógio de pulseira que o próprio príncipe me deu de presente de entrada na Academia Real, há três anos.

Não há erro.

A propósito, eu presenteei Sua Alteza com um relógio de bolso.
Combinamos o design juntos em pares.
Mostradores adornados com pedras preciosas na cor dos olhos um do outro, e quatro tulipas rosas em diamante rosa e esmeralda. Uma peça belíssima.

A última vez que vi o relógio nas mãos de Sua Alteza foi há seis meses.



Ao sorrir com a elegância aristocrática, envolvendo-me na "dignidade" e na "presença imponente" forjadas pela rigorosa educação de princesa, Sua Alteza acaba assentindo, como se intimidado.

Você é tão "bondoso", não é?



— Aaah, Al, vai deixar mesmo? — A baronesa Chand se agarra ao braço do príncipe mais como se o prendesse entre o peito do que como um acompanhante e protesta com voz melosa.

— Não faz mal, é só desta vez.

Ele a acalma.

Realmente, muito "bondoso".



— Então, dez minutos.

— Agradeço vossa "clemência", Príncipe Herdeiro Arthur.

Após uma bela reverência para demonstrar gratidão e respeito, mudo o tom de voz.

O tom que foi proibido há dois anos.

Durante estes "dez minutos", vou falar como bem entender.

Tiro um pequeno objeto da bolsa e o mostro a Sua Alteza.

E então, com nostalgia e uma ponta de melancolia, chamo-o pelo apelido que era só nosso o que não fazia há dois anos com doçura.



— Lord Luti. Lembra-se deste marcador de página?

— Isso é…

— Que bom que se lembra. Fico muito feliz.
Sim. O anel de trevo-branco que você fez para mim quando tínhamos quatro anos.

Aos cinco, coloquei esse anel para secar dentro do meu conto de fadas favorito, virando uma flor prensada. Você o encontrou e transformou neste marcador.
Disse: "Guarde para sempre".
Aquilo fez com que esse meu tesouro se tornasse insubstituível.

Éramos tão felizes naquela época.
Brincávamos sem malícia, sonhávamos juntos…

Quando fizemos seis anos e selamos o noivado, prometemos: "Leebee, que eu tanto amo, vamos construir um bom país para o nosso povo juntos".
E eu respondi: "Também te amo, Luti. Vou me esforçar com todo o meu ser por você".
Trocamos até um juramento escrito, imitando os adultos.
Esse é outro dos meus tesouros.

Mas não se preocupe. Juramentos escritos não são capazes de prender o coração de ninguém…

— … Leebee…

Parece que as lembranças do passado o fazem responder com nosso apelivo de infância. Quanto tempo não ouvia isso. Ultimamente era só "Senhorita Elizabeth Russell".



— Nesta bolsa, tenho todos os presentes que o Lord Luti me deu.

Este é dos sete anos. Nosso primeiro anel de amuleto, comprado juntos numa barraquinha da cidade, quando fugimos disfarçados.
Sua Majestade, a Rainha, nos repreendeu: "Compraram uma falsificação. Joguem fora".
Mas eu convenci minha dama de companhia a recuperá-lo escondido. Hehe.

Esta fita é dos oito anos.
Estávamos lendo juntos, e eu cortei o dedo no papel. O Lord Luti desamarrou a fita do próprio cabelo para estancar o sangramento.

Este cordão é dos nove anos.
Fiz com o restante da linha de bordar que você me deu, dizendo: "Use isso para bordar meu cinto de espada".
Fiquei tão feliz que você percebeu meu receio em relação ao belo cinto feito por Sua Majestade, a Rainha. E também quando se alegrou com o cinto pronto.

Aos dez, foi o lenço.
Você me procurou no jardim, onde eu chorava escondida por causa da educação de princesa que ficava cada vez mais difícil, e me consolou. Fiquei tão feliz quando vi que você usava o lenço que bordei…

……

---

Em seguida, vou mostrando cada presente que ele me deu para aliviar a tensão da educação de princesa, junto com as lembranças.

Sua Alteza, como prometido, ouve em silêncio. Todos os alunos e conselheiros estão tão envolvidos pela atmosfera que apenas observam.

Aos onze, o sachê de ervas que Lord Luti escolheu.

Aos doze, o livrinho do conto de fadas onde guardei o trevo-branco prensado.

Aos treze, o peso de papel feito com uma pedra que Lord Luti encontrou no jardim e poliu. Ele se orgulhava, dizendo que a pedra lembrava a cor dos meus olhos.
E, envergonhado, confessou que a pedra parecida com a cor dos olhos dele ele guardava para si, em segredo.

Aos catorze, o porta-penas de prata.
Lembrança de uma fábrica que visitou: o design era bonito e escrevia bem. Guardei uma das canetas do conjunto de cinco.

E, por fim…

— Aos quinze, presente de entrada na academia: este relógio de pulseira. E para Lord Luti, o relógio de bolso…

Acaricio suavemente o aro dourado com quatro tulipas ligadas em meu pulso esquerdo.

— "Mesmo separados pelas aulas e pela educação no palácio, estamos marcando o mesmo tempo para o futuro. Eu te amo. Vamos nos encorajar."
Fui tão feliz…
Claro, como noiva do príncipe herdeiro, também ganhei vestidos lindos e joias. Estão todos guardados com carinho no armário.
Mas estes aqui são meus tesouros repletos da "bondade" do Lord Luti.

Vou tirando uma lembrança de cada vez, e guardando novamente.



— … Estes três anos na Academia Real foram o acabamento e a prática da educação que recebi no palácio.
Lord Luti. Sua Majestade, o Rei, ou Sua Majestade, a Rainha, lhe falaram algo sobre isso?

— Hã? Agora que você menciona… Acho que me disseram para agir com consciência e dignidade como príncipe herdeiro, mesmo na academia.

— Pois é. Você dizia: "Quero um pouco de liberdade. Depois de formado, vou passar o dia todo em deveres oficiais".
Me diga, Lord Luti. O que você achou de mim durante esse tempo?

— Bem… Você ouvia, mas nunca falava nada, Leebee.
Era como eu? Tipo "agir como noiva do príncipe herdeiro"?

— Exato. Agir como noiva do príncipe herdeiro. Antes de entrar na academia, fui submetida a uma verificação de… "pureza".

— ??!!!

O rosto de Sua Alteza se contorce de surpresa. Muitos alunos que ouviam a conversa se agitam; algumas moças chegam a corar.

— Não faça essa cara. Claro que foi uma médica da corte, mulher.
Ao que parece, virou tradição depois de um "escândalo" no passado.

Para proteger essa "pureza", certos "colegas de estudo" designados por ordem real me acompanham dia e noite, na academia e no palácio.
Em casa, são as damas enviadas por Sua Majestade, a Rainha.

Lady Sofia. Sempre grata.

Digo isso em tom propositalmente alegre, me dirigindo a uma dessas "colegas".

— S-Senhorita Elizabeth… Pode mesmo dizer isso?

— Estou ciente das consequências. Não sou digna de tamanha responsabilidade.
— De modo algum. Eu é que fui incapaz. Sinto muitíssimo…

— Não, vocês não têm culpa. Por favor, não se preocupem.

Lord Luti. Lady Sofia e as demais "colegas", assim como as damas de companhia, têm a obrigação de relatar à Rainha, diariamente, um relatório das minhas ações. Se Vossa Alteza consultar esses documentos, ficará claro se pratiquei ou não atos de intimidação.



Um dos conselheiros de Sua Alteza, o mesmo que insistia na acusação de "atos de intimidação incompatíveis com a noiva do príncipe herdeiro", ergue a voz com fúria.

— Quem acredita num relatório desses subservientes?!

O ar estala com a vibração.
A voz alta daquele homem grande já é assustadora por si só. É intimidação pura. Muitos alunos, inexperientes, tremem de medo.
A baronesa Chand resmunga: "Que horror~, ela mente de novo~".

Mas não pensem que podem subestimar os músculos de uma dama forjada em etiqueta palaciana, dança, equitação, defesa pessoal, etc.
Com o apoio de abdominais elegantes, aplico um sopro de canto lírico e devolvo a resposta com uma voz cristalina que ecoa por todos os cantos do salão.

— Silêncio. Ainda não se passaram os dez minutos combinados.
Mas imagino que Vossa Alteza também tenha suas dúvidas.

Como era de se esperar de Sua Majestade, a Rainha, famosa por sua sabedoria. Ela já havia previsto isso.
Além das oficiais de relatório, nomeou também inspetoras.

Lady Mary, obrigada pelo trabalho.

— É uma ordem honrosa de Sua Majestade. Investigar a Senhorita Elizabeth é um prazer. Ohohohoho…

Lady Mary, que sempre me tratou como rival, ri em falsete atrás do leque.

— L-Lady Mary? Tanto Lady Sofia quanto Lady Mary eram candidatas a minha noiva?!

Ora, Sua Alteza. O pronome formal "eu" se transformou num "mim" mais íntimo.
Bem, o "eu" informal dos tempos de infância era só uma forma de parecer mais adulto para se encaixar no grupo.

— Não posso dizer ao certo quais eram as verdadeiras intenções de Sua Majestade.
Além disso, os guardas as "sombras" da família real também tiveram a gentileza de preparar relatórios separados. Por favor, consulte-os.

— E-Está bem. Assim que voltar ao palácio, confirmarei com minha mãe… digo, com Sua Majestade.

— Obrigada, Lord Luti.
Separadamente deste "problema da intimidação", não seria surpresa que Vossa Alteza tivesse encontrado o "verdadeiro amor" com a baronesa Chand.

— Hã?

— Lord Luti. Nestes dois anos, a educação no palácio… não mudou em relação ao que era antes?

— Agora que você diz…

— Não é verdade?
Na verdade, sua bondosa personalidade foi considerada impossível de corrigir com a educação de monarca, e desistiram após os primeiros seis meses de academia.
Há dois anos e meio, decidiram mudar de estratégia: aproveitar sua natureza e torná-lo um "rei compassivo".

Como substituta, recebi ordens reais, por sugestão de Sua Majestade, para incorporar o papel de um estado de direito e fazer cumprir as leis.
Um vassalo deve obedecer às ordens reais.

— Então… Leebee… estava fazendo… o meu papel?

— Sim. Com essa mudança de diretriz, no segundo semestre do primeiro ano, precisei estudar anos de conteúdo teórico em seis meses todos os dias, de uma só vez.
Mesmo com tarefas práticas… o primeiro semestre foi tão feliz…
A festa de boas-vindas aos calouros, dançando com Lord Luti. O almoço juntos.
Depois da aula, comparando respostas na biblioteca. O encontro disfarçado no festival do solstício de verão.
Fui tão feliz…

Olhando para trás, aqueles seis meses foram como um sonho.

Meus olhos se perdem na distância, involuntariamente.

Mas o tempo que me foi concedido agora é de apenas dez minutos.

— Leebee…

— No entanto, obedecer às ordens reais é o dever de um vassalo.

Para proteger a disciplina e a ordem desta Academia Real um protótipo do reino após aquele semestre intensivo, a partir do segundo ano, na posição de membro do conselho estudantil, atuei em cooperação com os professores.
Adverti aqueles que excediam os limites em relação às regras e à etiqueta.

Essa foi minha nova tarefa prática.

Enquanto isso, Lord Luti os guiava com palavras bondosas.
O equilíbrio perfeito entre o chicote e o afeto. Foi assim que Lord Luti conquistou a confiança de todos.
Mesmo que me chamassem nas costas de "rígida" ou "chata", como a vilã que carregava o ódio por todos, eu ficava feliz.
Não é de se admirar que seu coração se afastasse de uma mulher sem carisma.



Mudei minha maquiagem, penteado, voz e modo de falar.
Os cabelos dourados, macios como seda que o príncipe tanto acariciava, agora estão enrolados e presos, com olhos puxados para cima.
Isso me dá dores de cabeça e aumenta minha rigidez em trinta por cento. É realmente triste.

— Como pode! Por que… por que nunca me contou?!
Que a Leebee, tão alegre e gentil, teria mudado tanto… eu, eu…

— Foram ordens reais, sugeridas por Sua Majestade, a Rainha.

— ??!!

— Para testar a confiança entre os dois que governarão a próxima geração do reino.

Respondi inúmeras vezes às perguntas de Vossa Alteza e seus conselheiros sobre a baronesa Chand, a transferida do segundo ano:
"Apenas a adverti, pois seus modos pouco habituais à etiqueta causavam mal-entendidos e problemas."
Mas, mesmo sendo uma falsa acusação que poderia ser refutada pelos relatórios do palácio, fui julgada unilateralmente nesta assembleia de alunos…

Estamos muito longe de ser um rei e uma rainha que deveriam reinar em harmonia…
Portanto, reprovei na tarefa prática da educação de princesa.

Além disso, o problema de Vossa Alteza com mulheres na academia era a tarefa prática sobre a capacidade de administrar o harém após o casamento.
Também reprovei.

Por fim, revelei o conteúdo interno desta tarefa.
A permissão de Sua Majestade, a Rainha, era apenas depois de formada, quando estivesse a sós com Lord Luti.
Faltam duas semanas. Mas já não aguentava mais.

Ou seja: reprovei triplamente como noiva do príncipe herdeiro.
Retornarei imediatamente à minha casa e meu pai, o duque Russell, comunicará a Suas Majestades o pedido de cancelamento do noivado.



Pego um pente, solto o cabelo preso, e os fios dourados e ondulados caem pelas minhas costas.
Recupero o olhar que o príncipe tanto amava grande e bonito.
E abraço contra o peito a bolsa repleta de "bondade", com todo o meu sentimento.

Adeus, meu primeiro amor.



— Lord Luti. Muito obrigada por ter tecido comigo um "amor sincero" por mais de dez anos.

Sua "bondade" foi mais do que suficiente para mim.

As joias e vestidos que recebi como noiva serão vendidos e doados ao orfanato da capital real. Os relatórios serão entregues ao tesoureiro do palácio.

Agora, nove minutos.
Príncipe Herdeiro Arthur, a estrela brilhante do reino.
Elizabeth, filha mais velha do duque Russell, vossa leal vassala, retira-se um pouco antes do previsto, mas com vossa permissão.

Faço uma reverência graciosa e desço do palco.

— Leebee! Espera! A suspeita foi esclarecida! Leebee!

Sua Alteza se solta da baronesa Chand e corre atrás de mim.
Viro-me de repente, dou uma olhadela no relógio, e respondo com um sorriso suave.



— Príncipe Herdeiro. Vossa Alteza é bondoso demais.
No palácio, consulte os dois tipos de relatórios com seus próprios olhos e tire suas próprias conclusões.

Ah, sim. Como a vilã, tenho dois últimos avisos.

Há informações de que o relógio de bolso de Vossa Alteza está na vitrine da nova casa de penhores "Peônia", na cidade baixa.
Isso pode gerar rumores de filhos ilegítimos. Recupere-o imediatamente.

Além disso, as "sombras" sugerem que Vossa Alteza deveria verificar também a "pureza" de sua amada "verdadeira alma gêmea", a baronesa Chand, com quem mantém uma "relação ainda casta".

Ora, deu exatamente dez minutos e vinte e nove segundos.
A todos, muito obrigada por ouvirem.



Após uma elegante reverência a todos os alunos, saio do salão com olhar firme e sereno, sem olhar para trás.


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