abril 13, 2026

Tornei Vilã por Curiosidade - Capítulo 03

Capítulo 03


A Jovem Malvada Adquire Suas Sequazes



Seria que há alguém com quem eu possa fazer amizade? — enquanto examino a sala de aula, encontro uma garota que olha na minha direção com olhos especialmente brilhantes.

Será que tem alguém que ela conhece atrás de mim? — viro-me, mas não há ninguém.

— Lady Elena!

Ah. Era comigo mesmo.

— Er… sim?

Respondo com hesitação ao seu chamado, e seus olhos ficam ainda mais radiante.

— Eu me chamo Perslee! Se não se importa, gostaria de ser sua amiga!

Ela se aproxima enquanto fala, e não há como recusar. Por um instante, sinto vontade de hesitar, mas…

— Sim. Prazer em conhecê-la.

Respondo com um sorriso, e então sou chamada por outro lado.

— Lady Elena, eu também gostaria de ser sua amiga! Ah, meu nome é Percel!

Aumentaram.

Elas me chamam de "Lady Elena" e lentamente vão ocupando os dois lados ao meu redor.

Pelo que me lembro, ambas são filhas de algum visconde.

Na cerimônia de entrada, o diretor disse que nesta academia há tanto nobres quanto plebeus, e que todos devem se tratar como iguais e em harmonia. Mas ao que parece, as coisas não funcionam bem assim.

Nesta turma, as posições mais altas são filha de um conde e de Löwe filho de um conde também.

Nesse contexto, os filhos de nobres parecem querer se agarrar a quem está por cima, seja por conveniência ou para se aproveitar do poder alheio. Eles se reúnem ao redor de mim e de Löwe, mas nenhum plebeu se aproxima.

No entanto… é meio que… "Lady Elena, Lady Elena" para todo lado. Isso me parece menos amizade e mais subordinadas ou sequazes, não?

Bem, mas para uma jovem malvada, rival da heroína, ter sequazes grudados nela… o cenário é até bem clássico.

Löwe está mais ou menos na mesma posição que eu. Será que ele também arranja sequazes? — olho de relance na direção dele, mas a situação parece bem diferente da minha.

Ao redor de Löwe estão quase todas garotas…! Aquilo não são sequazes parece mais que estão evoluindo para fãs ou algo assim.

Ainda é melhor do que isso. Será que é melhor do que isso? Não sei, mas de qualquer forma, vai dar um trabalho danado. Penso nisso ao observar Löwe, cujo sorriso amigável vai lentamente se transformando num sorriso amarelo.



— Todos, parabéns pelo esforço na cerimônia de entrada. Agora farei algumas explicações sobre a academia.

Dizendo isso, o professor responsável sobe ao pódio. É um homem de aparência gentil.

Ele é o professor da turma e também o responsável pelas aulas teóricas regulares: línguas, aritmética e história. Quanto às aulas de magia, haverá professores especialistas.

E as aulas de magia são optativas.

— Agora, escrevam duas áreas de interesse no papel que lhes será entregue.

Olho para o papel que recebo e minha animação dispara. Magia. Magia, repleta de sonhos e romance.

As áreas de magia se dividem em cinco tipos: Magia de Ataque, Magia de Defesa, Magia de Cura, Magia de Adivinhação e Estudos de Runas.

Ao que parece, com o avanço dos anos letivos, áreas mais especializadas também surgem, mas isso não está escrito no papel que tenho agora.

— Duas…

É uma pena que eu só possa escolher duas entre todas essas. Eu queria estudar todas, se possível.

Mesmo que eu escolha áreas completamente diferentes das de Löwe e peça para ver seus livros, ainda assim faltaria uma.

"O que fazer?" — fico inclinando a cabeça, olhando para o papel.

Como alguém que jogava action games, minha vontade de estudar Magia de Ataque é imensa. Não sei se neste mundo existem monstros ou inimigos claros, então não sei se terei oportunidades de sair usando magia de ataque que nem num action game.

Mas… e se no futuro surgirem monstros ou houver guerra com outro país? Hum… acho que não. Isso aqui é um jogo otome, afinal. Mas talvez existam jogos otome onde se possa usar magia de ataque livremente.

— Lady Elena, qual área a senhora escolherá?

— Hã? Eu…

— Magia de Ataque é algo tão vulgar, não é? O mais adequado para uma dama é a Magia de Cura, não acham?

A-a-ataque…

— … É mesmo. Penso em escolher Magia de Cura e, também, Adivinhação.

Sob o peso da empolgação de Perslee e Percel, minhas sequazes (em fase de teste), acabo sendo levada pela corrente. Ao que parece, Magia de Ataque é considerada "vulgar" e não tem absolutamente nenhum prestígio entre as garotas.

Aliás, o que aguarda aqueles que se especializam em Magia de Ataque e Defesa são os Cavaleiros Mágicos. E cavaleiro é um mundo masculino, então dizem que mesmo que uma garota estude isso, será praticamente inútil. Droga! Eu queria estudar!

Derramando lágrimas por dentro, acabo escolhendo as áreas mais seguras: Cura e Adivinhação. Fiquei interessada em Runas também, mas…



Após as aulas, Löwe vem correndo até mim antes que seja cercado por suas fãs em potencial.

— Que áreas você escolheu, Elena?

— Cura e Adivinhação. E você, Löwe?

— Defesa e Adivinhação.

— Ora, uma coincidência.

Escolhe ataque, porra. Ataque é a melhor defesa! — grita dentro de mim o fanático por ação que habita meu coração.

— Não podia ter coincidido?

— Não é isso. É que se tivéssemos escolhido áreas diferentes, eu ia pedir para ver seus livros.

Ele ri e diz que sou muito estudiosa. Aos olhos dos outros, deve parecer que sou aplicada nos estudos mesmo, mas eu não penso nada disso.

Löwe, ainda rindo, se oferece para me mostrar o livro de Defesa. Mais tarde, vou tentar fazer amizade com alguém que escolheu Ataque ou Runas e pedir os livros emprestados.

— Então vamos embora, Elena.

Uma garota corajosa se aproxima de Löwe, mas ele, como se percebesse a aproximação, começa a andar mais rápido. Ao que parece, ele não é muito bom com garotas se aglomerando ao seu redor.

— Sim. Ah, então tchau, Lady Perslee, Lady Percel. Até amanhã.

Aceno para minhas duas sequazes (em fase de teste), e elas acenam de volta com alegria.

— Elena, você vem de carruagem?

— Sim. É perto, mas mesmo assim. E você?

— Carruagem. Nossa casa secundária fica um pouco distante da academia.

Pois é. Como a academia fica na capital real, muitos alunos vêm de casas secundárias, não da propriedade da família. Eu também.

Os nobres, durante a temporada social, adoram se reunir para bailes e chás, então ter uma casa secundária na capital é praticamente uma obrigação.

Para os plebeus que não têm casa secundária e para os nobres de baixo escalão que não têm condições de manter uma, a academia oferece alojamentos.

Ouvi dizer que os alojamentos, por serem mantidos pela Academia Real, têm quartos, refeições e instalações luxuosas. Por um instante, cogitei a ideia de morar lá, mas o alojamento feminino é proibido para homens. Assim que percebi que isso significava que Rolth não poderia entrar, descartei a ideia.

Bem, mesmo que não tivesse descartado, minha mãe já estava toda animada para vir comigo para a casa secundária, então morar no alojamento nunca foi uma opção. Se ela quer acompanhar como observadora, faz sentido.



— Ora, ali está Rolth.

Ao chegar na entrada dos alunos, vejo uma costa familiar. Ao que parece, ele estava me esperando.

— Ah, Elena. Sobre aquele jogo de tabuleiro que combinamos… quer jogar amanhã já?

— Quero! Posso chamar o Rolth também?

— Claro.

Löwe é um garoto muito gentil; trata Rolth, meu criado, como se fosse um amigo.

Pensar que, quando esse garoto gentil se tornar um jovem adulto, talvez eu e a tal da heroína estejamos disputando por ele… de alguma forma, meu coração dói um pouco.

Despeço-me de Löwe na frente da carruagem e entro no veículo com Rolth.

— Ah… estou cansada. Ah, é verdade, Rolth — hoje eu adquiri sequazes.

— É mesmo?

— Duas garotas chamadas Perslee e Percel. "Sequazes", não acha que tem um certo ar de jovem malvada?

— … É mesmo?

Acha que não?

— Tem um ar de jovem malvada, sim. Sabe, tipo: "Eu estou no topo e dou ordens às minhas sequazes"?

E assim a jovem malvada intimida a heroína sem sujar as próprias mãos. Perfeito, não?

— Com a devida permissão para a ousadia, minha senhora… a senhora é muito ruim para dar ordens.

— Mentira.

Vindo de Rolth, que todos os dias recebe ordens minhas, a afirmação tem credibilidade.

— Ah… eu achei que, para um primeiro dia, meu nível de jovem malvada foi bem razoável. Escuta, quantos pontos você dá para o meu nível de maldade?

— Dez pontos.

— … De quantos?

— Cem.

Muito baixo.

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